Capítulo 5

Educação Aberta e a Distância em Portugal

Lidia Grave-Resendes e Alda Nunes

Introdução

Educação Aberta e a Distância em Portugal

Educação a Distância em Portugal

Formação a Distância em Portugal

Conclusão

Referências

 

Introdução

As crescentes exigências da internacionalização da economia e os desafios de uma sociedade em rápida mutação resultante de avanços tecnológicos, exige que os indivíduos actualizem a sua informação e desenvolvam novas competências para que possam sobreviver e competir a nível local e global. A sociedade que deseja providenciar o melhor para os seus cidadãos é aquela que investe na aquisição de conhecimentos. Como a sociedade é constituída por pessoas, estas necessitam de adquirir novos conhecimentos e novas competências.

Ao lermos o relatório IRDAC (1991) sobre Skills Shortages in Europe somos confrontados com recomendações concretas para enfrentar os desafios que se nos deparam. Entre as várias recomendações, o relatório sublinha a necessidade de um forte investimento para actualizar a mão de obra existente, para desenvolver competências apropriadas à população jovem que será a principal portadora da inovação e da renovação tecnológica, e para melhorar a produtividade da educação e da formação em todas as suas modalidades. É imperativo que as escolas melhorem a sua produtividade para acompanharem o aumento de produtividade das empresas e da sociedade. Para fazer frente às necessidades de formação, o IRDAC recomenda uma melhoria na produtividade da educação e da formação para actualizar competências e qualificações dos indivíduos. Isto pode conseguir-se, em parte, por intermédio de aprendizagem flexível e a distância, em toda a Europa. Sistemas tradicionais de aprendizagem a distância (como os que encontramos em universidades abertas na Europa) devem ser apoiados no redireccionamento das suas acções a fim de irem ao encontro das necessidades actuais da sociedade. Adicionalmente, e em maior escala, a nova tecnologia deve ser utilizada na produção de materiais de formação que permitam um ensino e uma aprendizagem individualizada e melhorem a eficiência do processo formativo. A remoção de obstáculos como a falta de normalização, o elevado custo unitário de produtos multimédia e de formação, a experiência de ensino aprendizagem inadequada quanto ao uso eficaz e a atracção de tais sistemas, merecem uma profunda atenção e constituem um alerta do IRDAC.

O projecto TEEODE tem como principal objectivo a educação a distância na Europa. Nós, na qualidade de parceiro português, apresentaremos uma visão sumária da actual situação da educação a distância e da formação em Portugal. Sete instituições portuguesas participaram no projecto. Segundo as nossas fontes de informação, estão envolvidas ou em educação a distância ou em formação. São seis centros de formação profissional, um dos quais oferece também cursos superiores, e uma grande universidade pública vocacionada para a educação a distância com impacto também em educação contínua. Em termos de matrículas apresentam uma variação que vai desde duas até a um número acima do milhar. Gratos pela sua participação, apresentaremos uma súmula de tais instituições

Educação Aberta e a Distância em Portugal

A integração de Portugal na Comunidade Europeia criou a necessidade de novas modalidades de formação profissional capazes de responder às necessidades de formação e qualificação dos recursos humanos. Da tensão entre tradição e modernização, a educação a distância tem ganho, gradualmente, terreno como forma especializada de educação cuja especificidade lhe confere uma dinâmica de formação profissional a nível mundial (IRDAC, 1991). Com o apoio da educação a distância, os sistemas de formação estão a ganhar terreno nos fortes desafios da transitoriedade, novidade e diversificação que a sociedade global lhes impõe (Doerfert et al., 1989).

Na sociedade contemporânea, as actuais mudanças nas áreas técnicas e tecnológicas, informacional e comunicacional, relacional e organizacional tornaram obsoletos sistemas de formação tradicionais, outrora perfeitamente adaptados ao seu contexto (Galie, 1991). Este desenvolvimento conduziu a uma nova situação caracterizada pela necessidade de novas formas alternativas de formação (Fortella, 1990). A educação a distância é um instrumento que instituições de formação profissional podem utilizar em três áreas fundamentais: formação contínua, reconversão e formação inicial.

O espírito da lei portuguesa está de acordo com o movimento internacional que vai prosseguir a reflexão sobre formação profissional, especialmente no que se refere à necessidade de utilizar a educação a distância como novo e poderoso meio de formação. O governo português tem apoiado activamente as orientações políticas de formação profissional em educação a distância expressas no memorando da Comissão da Comunidade Europeia (191, p. 24). Estas orientações procuram promover as condições para a generalização e para a intensificação qualitativa e quantitativa de educação contínua como forma de concretizar o direito individual à formação.

Os dados publicados sobre ensino a distância em Portugal são escassos até à presente data. Para além de alguns artigos, existe apenas um estudo extenso sobre educação a distância em Portugal, especificamente em educação superior o qual faz parte de uma dissertação de doutoramento de Hermano Carmo (1994) intitulada Modelos Ibéricos de Ensino Superior a Distância no Contexto Mundial. A ausência de referências bibliográficas significativas sobre educação a distância e formação profissional em Portugal obrigou-nos a usar vários métodos de recolha de informação. Pesquisámos a localização das instituições que leccionam educação ou formação a distância, contactámo-las, entrevistámo-las e obtivemos dados que nos permitiram caracterizá-las e aos seus programas. Apresentaremos esta informação no final do capítulo.

Constatámos que existe no país uma sensibilização às vantagens do uso de educação a distância como modo de dar resposta não só à necessidade de actualização de desenvolvimento profissional contínuo, mas também como modo de satisfazer as necessidades daqueles que querem obter um grau universitário mas não dispõem de tempo para se matricularem numa universidade tradicional ou num centro de formação profissional geograficamente acessível à sua residência. Daí decorre a existência de um número crescente de instituições que começam a implementar ou a considerar a possibilidade de implementar ensino a distância em Portugal.

L'Istruzione a Distanza in Portogallo

A evidência de que é possível oferecer ensino de elevada qualidade na maioria das disciplinas científicas, humanísticas e culturais através dum processo que não requer a presença física dos alunos na sala de aula, permitindo-lhes uma auto-aprendizagem pelo uso de materiais didácticos desenvolvidos com essa finalidade, foi estabelecida pela Open University do Reino Unido. Este sucesso foi determinante para a expansão de universidades de ensino a distância, conhecidas em todo o mundo por universidades abertas (Trindade, 1989). Portugal não pôde manter-se alheio a este acontecimento. Em 1988, criou-se a Universidade Aberta. Antes de apresentarmos a universidade gostaríamos de contextualizar, sumariamente, a evolução do ensino superior a distância em Portugal que levou à criação daquela universidade (para uma revisão histórica detalhada ver a dissertação de doutoramento de Hermano Carmo, 1994). A referência bibliográfica básica usada neste capítulo referente ao ensino superior a distância em Portugal foi obtida através da leitura de um capítulo da mesma dissertação.

 

Uma visão sumária da evolução da Educação a Distância

Em Portugal, já em 1927, durante a Primeira República, se questionavam as possíveis vantagens e perigos do uso de audiovisuais no processo educativo. Cinco anos mais tarde, devido à pressuposta importância da cinematografia na educação, o Ministério de Instrução Pública criou a chamada Comissão do Cinema Educativo com o objectivo de propor a produção, autoria e distribuição de filmes educativos.

Trinta anos depois, em 1963, deu-se um grande passo no sentido de desenvolver audiovisuais educativos com a criação do Centro de Estudos de Pedagogia Audiovisual cujo objectivo principal era pesquisa laboratorial em duas áreas: uma relacionada com o uso de processos audiovisuais na educação (como mecanismos de apoio) e outra de estímulo, coordenação e avaliação da sua aplicação. A pesquisa realizada identificou a necessidade da criação de uma organização que pudesse incentivar a produção de materiais educacionais e foi então criado pelo Ministério Nacional da Educação, o Instituto de Meios Audiovisuais de Ensino - IMAVE. O Instituto tinha como finalidades a produção, compra, disseminação e gestão de programas educacionais dirigidos a uma população específica.

No mesmo ano, foi lançada a Telescola em Portugal. Este foi o primeiro uso sistemático dos media no contexto educacional formal. Constituiu um modo de colmatar a falta de professores necessários para pôr em prática a escolaridade obrigatória (6º ano de escolaridade). Contudo, Trindade (1990) afirma que, em termos técnicos, este sistema não se pode considerar ensino a distância. No seu manual Introdução à Comunicação Educacional, ao descrever o uso dos media no contexto escolar, refere:

Note-se que, em termos técnicos, a metodologia própria da telescola não se confunde com ensino a distância: o único ponto de contacto entre os dois conceitos reside na utilização intensiva de materiais didácticos mediatizados. Trata-se, por conseguinte, de ensino presencial (em classe, sujeito a horário, com a presença do professor), mas apoiado por meios audiovisuais. A designação de ensino semi-directo, aplicado à Telescola, embora algo enganador, é relativamente aceitável? (p. 238-9)

O número de alunos na Telescola chegou a atingir os 60 000 por ano, perfazendo um milhão o total de alunos que a frequentaram. (Trindade, 1990).

No ano seguinte, com a reforma educativa de Veiga Simão, o IMAVE foi substituído pelo Instituto de Tecnologia Educativa - ITE, com os mesmos objectivos que o anterior, acrescidos do objectivo explícito de actualizar os métodos pedagógicos pelo uso dos meios mais modernos de ensino.

Em 1975, um ano depois da Revolução Portuguesa, um relatório de uma comissão ad-hoc recomendava a criação de uma universidade de ensino a distância e apresentava um modelo possível, que constituiu, segundo Trindade (1989), o primeiro passo importante no sentido da criação de uma universidade a distância em Portugal. Em 1976, foi criada a UNIABE - Universidade Aberta com o objectivo de contribuir para o progresso da democracia e para a construção do socialismo. Apesar das boas intenções, o decreto não foi posto em prática.

A primeira iniciativa em educação a distância - o Ano Propedêutico - surgiu depois da revolução de 1974 como solução ad-hoc ao acesso universitário. Demonstrou a possibilidade de desenvolver um programa de ensino a distância, centralizado, dirigido a uma grande audiência adulta, geograficamente dispersa. Esta experiência levou, em 1979, à criação do Instituto Português de Ensino a Distância (I.P.E.D) com o objectivo de adquirir conhecimentos, competência profissional, instalações, equipamento e preparar o caminho para a futura Universidade Aberta. Em 1984, a equipa do I.P.E.D., presidida por Armando Rocha Trindade, considerou que o instituto estava preparado para implementar o terceiro objectivo - lançar a Universidade Aberta. Nesta altura, surgiram novas dificuldades financeiras e culturais. A nível de poder de decisão, a falta de compatibilidade com muitas outras prioridades do sistema educativo e os presumíveis elevados e permanentes custos exigidos por uma nova estrutura educacional com características pouco convencionais e profundamente inovadoras, levantou um grande cepticismo e recusa entre a intelligenzia portuguesa (Trindade, 1989).

Um impulso significativo ao reconhecimento interno da necessidade de criar uma universidade aberta com um projecto ajustado às características específicas da sociedade portuguesa, foi dado pela European Association of Distance Teaching Universities, criada em 1987. O Projecto Universidade Aberta (a nova designação do anterior IPED) foi um membro fundador deste grupo. Uma avaliação técnica elaborada pelos directores da associação foi dirigida ao governo português em defesa do Projecto Universidade Aberta. A emissão duma recomendação do Parlamento Europeu sobre o significado de universidades abertas na construção da Europa e a crescente importância dada pelos responsáveis da Comunidade ao mesmo problema (como por exemplo, os programas ERASMUS, DELTA, STRAND e COMETT), devem ter contribuído para ultrapassar as dificuldades apresentadas por várias entidades portuguesas com poder de decisão. Em 1988, na cerimónia de encerramento da conferência Long Term Developments for European Distancie Education, realizada em Lisboa com representantes de todas as universidades abertas europeias, foi anunciada publicamente pelo Ministério de Educação português a decisão de se criar a Universidade Aberta de Portugal.


Universidade Aberta de Portugal

A Universidade Aberta é a mais recente universidade pública portuguesa.: Se bem que alguns dos os seus objectivos gerais sejam comuns aos de outras universidades, tem uma modalidade específica de ensino que procura facilitar o acesso a uma educação universitária, àqueles que, por várias razões, não têm a possibilidade de frequentar uma instituição tradicional. Tal modalidade de ensino, sucintamente conhecido por Ensino a Distância, refere-se ao regime de estudo centrado na auto-aprendizagem sem restrições nem de tempo nem de espaço, em que o aluno tem acesso directo aos materiais necessários ao desenvolvimento da sua aprendizagem.

O sistema de Ensino a Distância da Universidade, como se referiu, é baseado na auto-aprendizagem, através do uso de materiais escritos, como, manuais e textos básicos. Para além dos materiais escritos, os alunos utilizam videogramas ou audiogramas que reforçam especificidades das disciplinas ou clarificam, em áreas de maior complexidade, os conteúdos das mesmas. A Universidade também tem emissões de rádio e televisão. Os alunos têm acesso fácil a todo o tipo de informação relacionado com os cursos leccionados, desde os materiais de aprendizagem à tutoria, quer por telefone, quer nos centros de apoio

A fim de dar apoio e feedback aos alunos, a universidade dispõe de centros de apoio dispersos por Portugal, havendo também apoio nos outros países onde existam a oferta de cursos da universidade.

Os objectivos da Universidade Aberta são, entre outros:

Estrutura

Para além dos órgãos existentes habituais em outras universidades portuguesas (Assembleia, Senado, Reitor, Conselho Científico e Conselho Pedagógico), a estrutura organizacional da Universidade Aberta é composta por três institutos:

Instituto de Comunicação Multimedia, organizado por projectos que têm como finalidade principal a produção de material multimedia e a prestação de serviços ao sistema de ensino e à formação profissional;

Instituto de Ensino a Distância, constituído por departamentos orientados para estudos a nível de licenciatura através da modalidade de ensino a distância;

Instituto de Estudos Pós-Graduados, constituído por centros de investigação e cursos a nível de pós-graduação. Os cursos de mestrado são leccionados na modalidade de ensino presencial, se bem que , presentemente, exista uma modalidade mista (presencial e a distância). Outro mestrado, que será leccionado na modalidade de ensino a distância, está ainda em fase de concepção.

 

Cursos

A Universidade promove três tipos de programas de ensino: cursos formais, curso não formais e disciplinas singulares. Os cursos formais são cursos de nível superior a que corresponde um grau académico: mestrado, licenciatura, bacharelato, ou certificado. Os cursos a nível de licenciatura são ministrados através da modalidade de ensino a distância, e os cursos de estudos pós-graduação são leccionados, essencialmente, no modo presencial.

Aos cursos não formais não corresponde a atribuição de um grau académico, mas exigem dos formandos um perfil de qualificações prévias, bem como uma inscrição individual e conferem um certificado. Incluem cursos de profissionalização em serviço, os quais permitem aos professores do ensino básico e secundário a obtenção de um certificado de qualificação pedagógica, que todavia não permite qualquer progressão na carreira.

As disciplinas singulares não obedeçam a pré-requisitos de entrada, nem a exames finais, nem a certificados. Os formandos inscrevem-se em qualquer uma das disciplinas leccionadas na Universidade. Trata-se de disciplinas com duração variável e podem assumir a forma de blocos multimedia, ciclo de programas emitidos, colóquios, seminários ou encontros. Consoante a natureza das disciplinas, são ou não sujeitas a inscrição prévia, com pagamento do respectivo custo, e podem corresponder à atribuição de certificado de inscrição ou de participação.

Presentemente, encontram-se matriculados na Universidade onze mil alunos, dos quais cerca de três quintos do sexo feminino, com idades compreendidas entre os 30 e os 39 anos (61%). A universidade abrange não só território nacional, mas também vinte países onde existem alunos portugueses. Devido ao aumento do número de alunos e à diversidade de cursos, o número de docentes cresceu substancialmente. No momento actual 2% dos docentes possuem grau de Licenciatura, 75% de Mestrado e 23% Doutoramento (Carmo, 1997).

Os cursos ministrados abrangem um largo espectro e têm vindo a aumentar (3 para 29). As disciplinas abrangem um leque diversificado de áreas e o seu número cresceu de 3 para 144, a nível de licenciatura, para além de 150 disciplinas a nível de estudos de pós-graduação na modalidade de ensino presencial.

À medida que a Universidade aumenta a oferta de cursos, nomeadamente nas áreas de ciências, gestão e informática, estão a ser consideradas novas modalidade de ensino, como por exemplo o uso de CD-I, programas de informática, Internet e ensino misto. Algumas disciplinas são leccionadas em aulas tradicionais, e outras, que não necessitam de laboratórios nem de interacção presencial, são leccionadas na modalidade de ensino a distância.

 

Centros de Apoio

Apesar de a Universidade estar dispersa por todo o país, e também por outros países, os alunos têm acesso a infra-estruturas que minimizam o isolamento associado a esta modalidade de ensino. A Universidade dispõe de 19 Centros de Apoio em Portugal e 20 noutros países. Estes últimos não têm as mesmas funções dos primeiros, pois destinam-se essencialmente, a local de exame (ver Figura 1). Para além deste centros, a Universidade dispões de três delegações em Portugal e de uma na Universidade Aberta Internacional da Ásia.

Os Centros de Apoio desempenham um papel importante em toda a operacionalização do ensino, ao proporcionarem um serviço vital de interacção entre os alunos e a instituição, nomeadamente, entre aqueles e os docentes. Os alunos podem ainda beneficiar dos vários serviços e facilidades disponíveis: utilizar os materiais didácticos, consultar os testes, pedir ajuda aos docentes, ou mesmo contactar especialistas da Universidade sobre o conteúdo dos materiais elaborados pela mesma. Os centros de apoio nacionais também servem de local aos exames finais.



Quadro 1: Centros de Apoio e de Exame da Universidade Aberta
Europa e Israel África América
Portugal* República da Guiné-bissau** Canadá**
França ** Angola* EUA***
Espanha** Cabo Verde** Argentina**
Inglaterra** Rep. de S.Tomé e Princípe** Brasil**
Suiça** Marrocos**  
Bélgica** Rep. Popular de Moçambique**  
Alemanha**    
Holanda**    
Luxemburgo**    
Dinamarca**    
Israel**    
* 19 Centros de Apoio dispersos por todo o país
** Centros de Exame
*** Centro em fase preparatória

Além da instituição de ensino superior acima apresentada, existe uma outra nova instituição que participou neste estudo: o Instituto Superior de Gestão Bancária.

 

Instituto Superior de Gestão Bancária

O Instituto Superior de Gestão Bancária - ISGB foi criado em 1991. É uma escola profissional privada, de nível superior, destinada à formação bancária e financeira avançada, oficialmente reconhecida pelo Ministério de Educação e autorizada a conferir diplomas. Os objectivos primordiais desta instituição são: promover a formação profissional para instituições bancárias nos vários ramos da sua actividade e oferecer conhecimentos, e competências mais actualizadas aos que procuram seguir uma carreira bancária. Põe ao serviço dos formandos os progressos das novas tecnologias na transmissão de conhecimentos.

Desde a sua criação, o ISGB tem funcionado principalmente como uma Escola de Ensino a Distância. A sua actividade iniciou-se no mesmo ano da sua criação com o lançamento do Curso de Gestão Bancária. Presentemente o Instituto oferece os seguintes cursos:

Gestão Bancária, curso de ensino a distância, conferindo o diploma de bacharelato;

Organização e Sistemas, através do ensino tradicional (aulas presenciais) e auto-aprendizagem em algumas das disciplinas, conferindo o diploma de bacharelato;

Especialização em Gestão Bancária, curso de ensino a distância, dirigido principalmente a alunos que tenham completado o curso de Gestão Bancária bem como a licenciados nas áreas de Gestão, Economia, Contabilidade, e outras áreas afins. No fim do curso, o instituto confere o diploma equivalente a uma licenciatura para fins académicos ou profissionais.

O ISGB utiliza principalmente ensino a distância e auto-aprendizagem assistida baseados no uso de materiais didácticos e num sistema de apoio. Os materiais são especificamente concebidos pelo Instituto para fins de ensino a distância: um manual para cada disciplina, textos de apoio, estudo de casos, audiogramas, videogramas, FAC (Formação Assistida por Computador) e simulações assistidas pelo computador. O manual é considerado o elemento mais importante.

O sistema de apoio é formado por um conjunto de actividades que apoiam o aluno nos estudos e o mantêm motivado. A operacionalidade do sistema de apoio baseia-se em tutores e sessões presenciais de apoio. O principal papel dos tutores consiste em clarificar os conteúdos e em tentar motivador os alunos no processo do estudo. As sessões presenciais de apoio são tempos durante os quais os alunos podem discutir as suas dúvidas com os especialistas (tutores) e com os colegas. É de notar que o sistema de apoio consiste numa sessão de abertura e sessões de apoio ao longo do ano.

A sessão de abertura inicia o ano lectivo. Nesta sessão, entregam-se os horários aos alunos e discute-se o método usado no processo da aprendizagem, com realce para os factores que determinam sucesso, apresenta-se o sistema de avaliação e os trabalhos para o ano inteiro. As sessões de apoio realizam-se aos sábados e têm como objectivo responder às perguntas dos alunos e treinar os conteúdos através de estudos de casos.

Formação a Distância em Portugal

Quando falamos de ensino a distância em Portugal, somos levados a mencionar, mesmo sucintamente, como e quando tudo começou neste país. Como fizemos anteriormente, ao apresentar a Universidade Aberta, como o culminar de um número de iniciativas que começaram muito mais cedo e como o fizemos com o ensino superior, gostaríamos de contextualizar, brevemente, a formação profissional a distância em Portugal.

A formação a distância começou sobretudo com cursos de natureza técnica a níveis de qualificação inicial ou intermédia. Embora pareça que não existem estudos sistemáticos sobre este tipo de formação, temos alguns dados. Nos anos oitenta, foi efectuado um levantamento que mostrou que existiam doze organizações que tinham desenvolvido programas de ensino por correspondência. Os mais antigos, fundados em 1947, administravam cursos nas seguintes áreas:

Com o impacto da III Revolução Industrial, com a integração de Portugal na CEE, e com o número disponível de especializações, o sistema da formação profissional desenvolveu-se bruscamente. O país atravessou então um período durante o qual, a elevada procura de formação, quer inicial quer contínua e os recursos educativos existentes, - professores, equipamento, materiais educacionais e edifícios, - não tinham capacidade de resposta para as necessidades sentidas. Como resultado, emergiram novas modalidade de ensino e aprendizagem para a formação profissional (Carmo, 1994).

 

Sistemas de formação em Portugal e o uso da formação a distância

O ensino a distância é um recurso ao alcance dos profissionais em três áreas fundamentais: formação profissional contínua, reconversão e, em menor grau, formação inicial. Em Portugal, a formação inicial vem a seguir à educação básica. Segundo a "Lei de Bases do Sistema Educativo" compôe-se genericamente de três áreas: formação geral, tecnológica e prática. Para além de algumas experiências positivas, o ensino a distância não teve até ao momento, um papel muito importante na formação inicial que tem utilizado em geral métodos tradicionais presenciais de educação. Existem, contudo casos conhecidos onde foi conseguida formação profissional básica por intermédio de metodologias de ensino a distância, nomeadamente cursos por correspondência.

A formação profissional contínua nas várias modalidades de qualificação, actualização e reconversão é implementada pelo sector empresarial, público ou privado, empresas individuais, associações profissionais, ou empresas cuja actividade exclusiva é a formação profissional, utilizando em maior ou menor grau fundos públicos ou da comunidade. A formação apresentada é variável no que se refere a duração, objectivos, conteúdos, custo, metodologias e meios utilizados.

Uma análise da escassa informação desorganizada acessível, revela a existência de meios diversificados de implementação da formação profissional contínua bem como das diferentes modalidades utilizadas.

Verificou-se que um primeiro grupo de empresas não investe na formação, mantém o status quo relativamente à formação dos seus empregados, emprega trabalhadores qualificados ou, em casos extremos, abre falência como resultado da não renovação das qualificações dos seus trabalhadores. Como resultado da evolução tecnológica, um segundo grupo de empresas é forçado a formar e requalificar os seus trabalhadores. Esta motivação extrínseca, não resultante duma estratégia integrada de gestão, vê na formação uma perturbação e um custo. Finalmente, um terceiro grupo de empresas encara a formação como um instrumento estratégico para o seu desenvolvimento. Este último grupo mostrou-se entusiasta no uso de metodologias de ensino a distância e mantém uma forte rede de distribuição de informação e apoio tutorial aos seus alunos. As vantagens do ensino a distância foram realçadas por este último grupo que vê nele potencial para o seguinte:

Um caso paradigmático é a formação oferecida pelo Instituto de Formação Bancária, uma das instituições que descreveremos seguidamente.

 

Instituto de Formação Bancária -IFB (Bank Management Institute)

O Instituto de Formação Bancária tem utilizado preferencialmente metodologias de ensino a distância, apoiadas numa forte rede de difusão da informação e de tutoria dos formandos, o que lhe permite obter um elevado grau de adesão dos trabalhadores menos qualificados.

O pacote de formação de Ensino a Distância e Auto-Aprendizagem Assistida (Assisted Self Study) contém cinco componentes fundamentais: materiais didácticos, sistema de apoio, sistema de exames, sistema de avaliação e organização operacional. O material didáctico é auto-suficiente na medida em que os conceitos e os meios utilizados para os transmitir fazem parte do pacote de material de ensino, que inclui: manuais, textos de apoio, estudos de caso, audiogramas e videogramas, formação assistida por computador e simulações assistidas por computador. Dá-se uma ênfase especial ao sistema de apoio que tem como suporte uma estrutura de tutores que apoiam os formandos a nível técnico e pedagógico.

No início do ano lectivo, realizam-se actividades que fazem parte do Plano Global de Apoio que integra sessões introdutórias de apoio, trabalhos e apoio telefónico.

Tanto o desenvolvimento deste sistema como a preparação dos materiais didácticos, exigem um esforço não só dos docentes de cada disciplina, mas também de uma equipa de especialistas que trabalham em conjunto, para garantir que os materiais didácticos e o sistema de apoio estejam adequados à auto-aprendizagem. A avaliação é contínua, a fim de motivar os formandos e tentar mantê-los permanentemente motivados no estudo ao longo de todo o ano lectivo. Em cada semestre, o formando é avaliado formalmente várias vezes pelo IFB, por meio de testes e trabalhos e por um exame final.

A classificação final em cada disciplina é o resultados dos testes realizados durante todo o ano (avaliação acumulativa). Dado o elevado número de testes, o IFB criou o seu próprio sistema de avaliação apoiado por um banco de dados com cerca de 10 000 perguntas, predominantemente de escolha múltipla, que são utilizadas na preparação de testes e de exames semestrais.

No IFB existem dois cursos de longa duração que utilizam Métodos de Ensino a Distância: Um Curso Geral e um Curso de Gestão Bancária. O Curso Geral dirige-se a populações bancárias (principiantes e empregados). O Curso de Gestão Bancária é um curso de nível avançado, concebido para a formação de gestores intermédios. Ambos os cursos são reconhecidos oficialmente pelo Ministério de Educação (12º ano de escolaridade para o Curso Geral, e diploma do politécnico para o Curso de Gestão Bancária) o que constitui outro incentivo para os formandos. Entre 1984 e 1991 cerca de 10 000 formandos inscreveram-se nos vários cursos ministrados pelo IFB.

Fundo para o Desenvolvimento do Ensino da Engenharia e da Tecnologia Electrotécnica, Electrónica e dos Computadores - FUNDETEC.

FUNDETEC, Fundo para o Desenvolvimento do Ensino da Engenharia e da Tecnologia Electrotécnica, Electrónica e dos Computadores, é uma associação, criada em 1984, por um grupo de empresas cujo objectivo foi o desenvolvimento do país, predominantemente, nas área de Tecnologias de Informação e das suas aplicações. O objectivo principal desta instituição é a formação de recursos humanos qualificados em Tecnologias de Informação e simultaneamente a exploração e criação de sinergias com universidades, centros de investigação e empresas em Portugal.

Através de um conjunto de parcerias, o FUNDETEC caminhou para um sistema integrado que envolveu a formação inicial qualificada, a formação contínua e níveis de educação formal, recorrendo a metodologias diferenciadas: formação presencial, formação a distância, formação flexível e auto-formação assistida. O FUNDETEC teve uma influência determinante na criação de perspectivas de emprego a milhares de jovens e desempregados e na manutenção do emprego a milhares de profissionais, através de um trabalho contínuo de reconversão, actualização e especialização.

Na educação formal, o FUNDETEC tem apoiado a criação de infraestruturas e a de equipamentos e laboratórios que permitem a melhoria do ensino, o aumento do número de estudantes e a criação de novos cursos de nível universitário, apoiando assim o desenvolvimento de licenciaturas, mestrados e doutoramentos. Como complementaridade da educação formal e formação profissional, o FUNDETEC apoia a formação de investigadores, pós-graduações, especializações e reconversões de licenciados.

No âmbito do Ensino a Distância, o FUNDETEC foi o fundador português do consórcio EUROPA e EUROPA 2000, cujo objectivo era difundir os mais actualizados conhecimentos de relevância para a investigação e desenvolvimento, manufacturarão e operações através do uso de tecnologias de comunicação avançadas. Cursos e seminários provenientes dos melhores centros de excelência europeus nas áreas de Inteligência Artificial, Engenharia Informática, Microelectrónica, Telecomunicações, Técnicas Avançadas de Produção e Gestão de Tecnologia são disseminados via satélite. O FUNDETEC também participou em projectos de redes de formação a distância, desenvolvimento de produtos dirigidos à formação a distância e à auto-formação assistida.

O FUNDETEC, aliando as competências existentes em todas as instituições e empresas com quem colabora, tem vindo a desenvolver uma actividade de produção de materiais multimedia, essencialmente, CBT's e vídeos. Também participou no programa SATURN, que consiste numa rede de instituições e empresas com a finalidade de produzirem materiais pedagógicos destinados à educação a distância.

O FUNDETEC tenciona internacionalizar a sua actividade de diversos modos em várias formas de intervenção, nomeadamente:

 

De 1984 a 1993, o FUNDETEC foi responsável pela organização e realização de

2 300 cursos de formação profissional, envolvendo cerca de 27 000 formandos e 300 jovens desempregados.

 

Centro de Estudos de Alta Capacidade - CEAC

A estrutura organizacional do CEAC em Portugal obedece à configuração da instituição mãe fundada em Barcelona (Espanha), e difundida em contexto internacional. Para além de um departamento de estudos onde se integra a área de Desenvolvimento Curricular, existe também uma Área de Ensino com um quadro significativo de docentes, tutores e supervisores. No departamento de comunicação e imagem, os assessores eventuais, dispersos por todo o espaço geográfico português, desenvolvem as especificidades do método CEAC de ensino a distância.

A característica das metodologias utilizadas por esta instituição, é a prevalência do recurso ao ensino por correspondência, como meio de comunicação educacional com os formandos. Na década de 90, para além do suporte de material escrito e dos recursos audiovisuais e informáticos, foi constituído um banco de dados com o objectivo de tirar vantagens das novas tecnologias e dos sistemas de comunicação que permitem uma formação a distância mais eficaz.

É de referir que, em Portugal, ao longo de 1997, se registou a frequência de 40 000 formandos nos cursos do CEAC, dos quais 10 000 eram novos alunos para uma oferta de formação constituída por 26 cursos.

Os cursos ministrados actualmente correspondem às áreas de contabilidade, contabilidade e empresariais, construção civil, cultura, desenho, desenho técnico, electrónica, informática e informática de gestão, mecânica, moda e beleza. Actualmente, a equipa de profissionais do CEAC viabiliza também a oferta de formação empresarial usando não só a modalidade de ensino a distância como também a modalidade mista de ensino presencial e a distância.

 

Tecnologias das Comunicações, Lda.- TDC

TDC, Tecnologias das Comunicações, Lda., criada em 1982, é uma organização de consultadoria internacional na área das comunicações. O seu principal objectivo é a prestação de serviços de consultadoria na área de telecomunicações, formação especializada e o fornecimento ou transferência de tecnologias. A TDC é também parceira em projectos de cooperação internacional actuando preferencialmente na Europa de Leste e em África. Em Portugal, a TDC colabora com os seus sócios por forma a providenciar aos seus clientes soluções inovadoras em áreas tais como:

 

Como empresa de consultadoria internacional, a TDC apoia os seus clientes na procura de financiamento e de desenvolvimento na sua esfera de intervenção. Neste âmbito, tem desenvolvido esforços no sentido de assegurar financiamentos especialmente para países da Europa e África. O projecto European Educational Teleports (EETP), no qual Portugal participa, é um exemplo desta área de intervenção. Em colaboração com várias países envolvidos e utilizando a modalidade de formação a distância, o projecto visa a criação e a validação de uma Rede Europeia de Teleportos de formação, isto é, entidades virtuais de serviços de formação baseados na cooperação entre diferentes entidades que, por via telemática, providenciam um leque de serviços técnicos e de formação a formandos e a organizações.

 

Assessores de Gestão e Formação Empresarial Limitada - AGESFAL

A AGESFAL é uma companhia orientada para a formação em Administração Pública Central e Local. Oferece formação em todas as áreas relacionadas com estratégia e reengenharia, finanças e controlo de gestão, marketing, produção, gestão de projectos, gestão da qualidade e recursos humanos.

Para implementar a nível internacional programas de formação avançada em gestão, a AGESFAL estabeleceu protocolos de colaboração com uma rede de parceiros internacionais que providenciam formação nas áreas de estratégias de excelência e de qualidade de serviço, gestão global, marketing e comunicação, finanças e controlo de gestão, logística e aprovisionamento, e gestão de recursos humanos. Em termos de formação intra-empresas, promoveu projectos de Qualidade Total, programas em diversas áreas funcionais, cursos específicos, conferências e seminários. A AGESFAL apoia várias áreas e organizações, das quais se mencionam as seguintes:

 

Em termos de parcerias em projectos europeus que usam a modalidade de formação a distância, destacamos:

1. O ICARE 9000 - um Projecto Telemático Europeu, que pretende fornecer às empresas um método novo, rápido e eficaz para obtenção da certificação nas ISO 9000 através da formação e consultadoria a distância on-line via video-conferência. Os meios utilizados são as linhas RDIS, a Telemática, a Internet e Multimedia. Este projecto envolve universidades e pólos tecnológicos e 24 PME's em países da Europa (França, Alemanha, Irlanda, Holanda, Itália e Portugal)

2. PETER - Pilot for Electronic Marketing and training in European Small and Medium Enterprises - um projecto piloto que tem por objectivo a criação das linhas de orientação para novos processos emergentes do comércio electrónico e o levantamento das questões de direitos de propriedade intelectual (direitos de autor) e de segurança. Alemanha, Inglaterra, Holanda, Itália e Portugal são países envolvidos neste projecto.

3. Just-in Time - um projecto que se destina à formação e divulgação do conceito de Qualidade dirigido às PME's europeias através da Internet, para apoiar a capacidade de resposta das empresas às necessidades de adopção de sistemas de qualidade, como suporte do seu desenvolvimento e nível de competitividade. Este projecto envolve a Alemanha, a Grécia, a Inglaterra, a Finlândia, a Itália e Portugal.

4. ISIS - é um projecto de parceria entre Portugal, a França e Alemanha. Tem como objectivo a criação de Digital Sites que permitam aos utilizadores o acesso a múltiplas aplicações de acordo com as suas necessidades específicas. Os sites já abrangem e podem vir a abranger diversas regiões de um determinado país, orientando as suas aplicações para um largo universo de utilizadores através dos mais avançados dispositivos de telecomunicações existentes no mercado.

 

Informational Computer Limited - ICL

A ICL é uma empresa nacional vocacionada para a formação de profissionais especializados na utilização de sistemas de informação e de novas tecnologias. Os projectos de formação profissional incluem várias áreas de actuação em função da situação dos formandos participantes face ao emprego:

 

Devido ao seu envolvimento na gestão e implementação de projectos de formação, a ICL possui um corpo multidisciplinar de formadores, complementado por consultores e gestores de projectos e coordenadores técnico-pedagógicos que implementam modelos pedagógicos activos nas acções de formação. Estes modelos incluem o ensino assistido por computador, a auto-formação e a formação a distância através de sistemas interactivos de formação aberta, manuais interactivos, programas de simulação e jogos educacionais.

Baseada na filosofia de Ensino Assistido por Computador (Computer Aided Teaching), a ICL desenvolveu, em colaboração com outras entidades e instituições, um conjunto diversificado de projectos em várias áreas. Esta colaboração abrange os domínios das tecnologias emergentes (multimedia, realidade virtual e a Internet), validação e credibilidade necessárias ao diagnóstico das necessidades de formação, as características pedagógicas dos conteúdos e dos produtos de apoio à formação, as metodologias de ensino de programas de formação individualizada, e as metodologias de acompanhamento e de avaliação associadas ao processo de formação.

Ao nível do sistema formal de ensino, a ICL concebeu diferentes produtos educativos, nomeadamente CD-ROMS para alunos do Ensino Básico com componentes lúdicas e apoio educativo. Em colaboração com a Universidade Aberta , a ICL desenvolveu um projecto inovador no âmbito da iniciativa NOW (New Opportunities for Women)- (Novas Oportunidades para as Mulheres).

A NOW INITIATIVE teve basicamente como objectivo, promover a integração da mulher no mercado de trabalho. As participantes do projecto eram licenciadas (algumas com pós-graduação) e trabalhavam no sector privado ou público, onde eram responsáveis por várias áreas de gestão. A finalidade era oferecer às participantes conhecimentos específicos, competências e atitudes na área de Sistemas de Gestão de Informação (Management Information Systems).

Este projecto apresenta características muito específicas na formação e na investigação. Para além do conteúdo do curso, o modelo de formação foi bastante inovador, ensino a distância, realizado através de uma rede telemática, cujo sistema de gestão da informação foi o BBS (Bulletin Board System) especificamente programado para esta formação e instalado num servidor para este fim.

Para investigar a eficácia da metodologia de ensino a distância, formaram-se dois grupos: um de controlo e outro experimental. No grupo de controlo, implementou-se a modalidade de ensino tradicional presencial, e no grupo experimental a metodologia de ensino a distância. Os objectivos da investigação foram, averiguar e comparar as metodologias implementadas nos dois grupos, avaliar as técnicas pedagógicas no uso da rede telemática como suporte de ensino a distância, e analisar o tipo de interacção a distância desenvolvida entre o docente e o formando e entre os formandos, enquadrados num ambiente de comunicação virtual.

Na área de projectos de investigação e desenvolvimento, a ICL está integrada numa rede de parceiros internacionais, resultado do seu envolvimento em projectos europeus, como o programa LEONARDO, ESPRIT e TELEMATICS.


Conclusão

A rápida evolução a que se assistiu em Portugal, tanto no campo educacional como no da formação, criou a necessidade de novas e diferentes modalidades de ensino e formação que constituam alternativas aos sistemas de formação tradicionais. O sistema português de educação e formação baseia-se cada vez mais na modalidade de ensino a distância, que por sua vez se tem vindo a afirmar como um veículo privilegiado capaz de dar resposta às actuais necessidades educativas e de formação

Tem vindo a ser reconhecido o papel que as novas tecnologias de informação e comunicação desempenham no desenvolvimento económico e social e também no importante papel que as mesmas podem desempenhar na formação inicial e contínua. A formação profissional suportada por estratégias que utilizam metodologias de ensino a distância tem vindo a ganhar visibilidade não só pelos responsáveis políticos em Portugal como também pelas organizações de ensino a distância.

Numa conversa com Armando Rocha Trindade, (Presidente do Conselho Internacional para Educação a Distância (ICDE ) e Reitor da Universidade Aberta), acerca do ensino a distância, ele acentuou que, em Portugal, o ensino a distância abrange a aprendizagem aberta e a distância e que tanto o ensino formal como a formação evoluíram segundo expectativas a nível mundial. Tendo em conta que Portugal possui uma base sólida em educação a distância, tanto no sector público como no privado, é de esperar que, no ensino superior, haja tendência para que as universidades convencionais adoptem modos de funcionamento a distância para fazer face a alunos extra-muros, a trabalhadores e a grupos para além da sua esfera de influência directa. Segundo o Presidente do ICDE, estes programas serão desenvolvidos não só para alunos extra--muros, mas também na expectativa de reduzir o custo por aluno comparativamente ao ensino convencional presencial.

Relativamente à formação, a situação é um pouco diferente. As acções de formação tanto de formação contínua como de reconversão têm curta duração, o que torna mais aceitável custos elevados. A curta duração torna quase aceitável a quantia a pagar pelo utilizador e será totalmente aceitável se o utilizador for uma instituição que pretenda formar um número elevado dos seus trabalhadores. Portanto, os custos da formação institucional são aceitáveis embora caros. A formação individual continua provavelmente fora do alcance dos bolsos da maioria dos cidadãos. Pensa-se que um número cada vez maior de operadores, organizados em grandes instituições de formação ou instituições mais pequenas mas especializadas, proliferarão em Portugal tal como acontece em quase todos os países desenvolvidos. Trindade acredita que, tendencialmente, haverá uma convergência entre educação e formação, e entre formação inicial e formação contínua. Finalmente as aulas convencionais presenciais fundir-se-ão com a educação a distância e, talvez dentro duma década, os dois modos de ensino estejam entrelaçados.


Referências

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Carmo, Hermano Almeida e (1994) Modelos Ibéricos de Ensino Superior a Distância. Doctorate Dissertation. Universidade Aberta. Portugal

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An informal conversation with ICDE President , Armando Rocha Trindade (1998), Universidade Aberta. Portugal.